O reencontro da dupla Jason Reitman [diretor] e Diablo Cody [roteirista] após o intervalo de 4 anos [Juno, 2007] não poderia ser mais feliz nesta produção, "Jovens Adultos" [Young Adult, 2011], tendo à frente a talentosa e deslumbrante Charlize Theron.
Mavis Gary está com 37 anos. É uma 'ghost writer" de uma série de livros infanto-juvenis, que já teve os seus dias de glória,e que trata de "aborrescentes" em eterna crise existencial e de afirmação, cheios de energia e com os seus hormônios efervescentes. Sua vida é uma reunião de desencontros pessoais e afetivos. Seu apartamento, um caos largado em Minneapolis, onde trabalha e se "larga". O momento: mudanças !
Com o toque personalíssimo da roteirista, antes de tudo, inquietante e transgressora, Mavis retorna à sua pequena cidade interiorana, Mercury, com o objetivo de reconquistar o seu grande amor em tempos de colégio, que agora está casado e com uma bebê recém-nascida. E feliz !
A personagem de Charlize é aquela gostosa dos tempos de escola, insuportável, narcisista, ególatra e egoísta. Invejada, desejada, mas nada confiável e maquiavélica. E é difícil acompanhar a sua trajetória, ainda que constrangedora e previsível, sem o amargor da rejeição. Ainda mais considerando os seus objetivos alucinados transvestidos de arrogância e uma crise de TPM interminável. Recém-divorciada, possui a maturidade de seus personagens juvenis com suas fantasias e determinações razas e passionais.
Patrick Wilson [da série "A Gifted Man"] encara Buddy Slade, mais do mesmo, faz o pai de família convencional, outrora popular. E a grande sacada do filme fica por conta do ótimo Patton Oswalt como aquele colega invisível e boa praça, relembrado por Mavis apenas por ter sofrido um ataque homofóbico na escola. A conexão que se desenvolve entre estes dois opostos é o que de mais intrigante e tocante tem o filme. Também é responsável pelas tiradas cômicas em cenas que ficarão se movimentando nas mentes dos que forem assistir ao filme.
Com esta trinca de protagonistas inesperada o roteiro de Cody vai revelando detalhes da vida dos personagens de forma consistente nas mãos de Reitman. Charlize está ótima em sua caracterização de difícil digestão, mas que passa credibilidade e substância, principalmente nos diálogos com Oswalt encarnando Matt Freehauf.
Nos surpreendemos no início, discordamos e nos constragemos durante a trama, e ao final, torcemos e nos tornamos amigos de Mavis Gary !
Escrito pela norte-americana Jennifer Egan, vencedora do Pulitzer de Ficção e do National Book Critics Circle Award de 2011, "A Visita Cruel do Tempo" (A Visit From The Goon Squad) exibe o seu virtuosismo literário através de histórias curtas, independentes como contos, que poderiam sobreviver autonomamente, sempre narradas por um diferente personagem em épocas distintas dentro de um período de vinte anos, dos anos 70 de San Francisco a New York mais recente. O mais interessante é que as narrativas apresentam perspectivas minimalistas que aos poucos se entrelaçam e revelam detalhes de um panorama maior, como em um caleidoscópio. O título em português pouco ajuda e esconde uma técnica de escrita apurada costurando as vidas de Bennie Salazar, Sasha e outros personagens cativantes. Um livro acima de qualquer expectativa !
A autora escreveu os seguintes romances, que já estão em minha wishlist:
- Emerald City (short story collection) (1993, UK; released in US in 1996)
- The Invisible Circus (novel) (1995)
- Look at Me (novel) (2001)
- The Keep (novel) (2006)
- A Visit From the Goon Squad (novel) (2010)
"I wanted to avoid centrality. I wanted polyphony. I wanted a lateral feeling, not a forward feeling. My ground rules were: every piece has to be very different, from a different point of view. I actually tried to break that rule later; if you make a rule then you also should break it!"
"I don’t experience time as linear. I experience it in layers that seem to coexist…One thing that facilitates that kind of time travel is music, which is why I think music ended up being such an important part of the book. Also, I was reading Proust. He tries, very successfully in some ways, to capture the sense of time passing, the quality of consciousness, and the ways to get around linearity, which is the weird scourge of writing prose."
Oscar Nakasato, vencedor do 1o. Prêmio Benvirá de Literatura, com uma narrativa direta e interessante sobre o imigrante japonês, Hideo Inabata, e a sua jornada através da lavoura de café das fazendas do interior paulista, passando pela 2a. grande guerra e chegando aos nossos dias. As diferenças culturais, dificuldades com a língua e costumes locais, saudades da terra natal, a reafirmação de valores e a forçada adaptação ao país que o acolheu, tornam a leitura um vislumbre da imigração e do pensamento japonês.
Segundo o autor, embora lance mãos de lembranças familiares, o livro não é autobiográfico. Antes de ser lançado pela Saraiva, foi recusado pelas doze principais editoras do país, entre elas a Cia. das Letras e Record. É Professor da Universidade Tecnologia Federal do Paraná, em Apucarana, leciona Língua Portuguesa e Literatura para o Ensino Médio e Produção de Texto e Comunicação Linguística, nos cursos superiores de Engenharia, Tecnologia e Licenciatura.
Além das belas imagens, realmente impressionantes, o texto, delicado e cativante, de Louie Schwartzberg sobre a Gratidão com a narração de uma criança sobre as descobertas e de um idoso sobre os presentes que recebemos diariamente e não temos olhos, ouvidos e sentimentos para perceber, causam uma sensação boa de embevecimento. Faz a gente pensar e focar naquilo que realmente importa e não nas distrações do dia a dia.
Cinebiografias de modo geral possuem um forte apelo, ainda mais se tratando de personagens que modificaram a nossa história de maneira tão contundente como é o caso de Margaret Thatcher. Sua importância, personalidade e alcance contém inúmeros predicados, embora contraditórios e longe de uma unanimidade estúpida. O filme foi além das minhas pobres expectativas, apesar da presença de Meryl Streep, sem dúvida, uma das grandes atrizes de todos os tempos. Surpreende pelo enfoque dado, uma visão particular, distorcida e retroativa de uma idosa que sofre de Alzheimer e que fez história com "H" maiúsculo enfrentando o machismo, Malvinas e sindicatos. Mais do que um simples veículo para fazer brilhar os dotes excepcionais da atriz, exibe de forma coerente, dentro da proposta da diretora Phyllida Lloyd, pinceladas mescladas da vida pública e privada. Não é um grande filme e será certamente esquecido, mas não deixa de ser interessante e enriquecedor. Além de uma aula de interpretação !
Com esta frase em seu pensamento Marcelo se levantou domingo pela manhã.
Conferiu as horas no seu celular como de costume, levantou-se vagarosamente, calçou os seus velhos chinelos e se dirigiu ao banheiro. Neste pequeno trajeto lembrou-se da razão que o motivara a acordar tão cedo no domingo: Jardim Botânico.
Fazia muitos anos que ali estivera. Em seu consciente, ainda perturbado pelo sono interrompido, lembrou-se dos picnics adolescentes com a galera do conservatório e as celebrações de aniversários em dias ensolarados e despreocupados. O objetivo secreto em dar um passo a mais na conquista de sua futura namorada... Lucíola ! Agitada, corpo de violão, grandes olhos, sorriso contagiante. Cheiro gostoso de tempos distantes.
Enquanto se banhava assistia em sua pequena tela de cristal as imagens dos bancos de memória daquela época com satisfação e nostalgia.
Repassando agora os cincoenta anos suspirou com os múltiplos caminhos que a vida o havia conduzido. As escolhas por bifurcações difíceis e com placas enganosas. Os atalhos confusos e as trilhas pedregosas e fechadas. Momentos de indizível luxúria como os monumentais vales verdes e refrescantes, como a chuva inesperada e abençoada. A mata fechada e sufocante e a sensação de estar perdido.
Arrependido ? De forma alguma ! A felicidade é portátil... lembrou-se de seu amigo de todos os dias.
Sua vida atual, longe da descrição de manuais práticos ou romances maduros, continuava sem um destino delineado ou um alívio em progresso. Brigara com o mundo em todas as instâncias, em todas as frentes, múltiplas na maioria das vezes, com afinco e determinação. Agressivo ? Certamente... mas constante e coerente, ainda que muitas vezes equivocado. O trabalho atual inspirava cuidados. Em uma sala de recuperação e pós-operatório, pensamentos positivos para um futuro próximo alternados pela insegurança, remédios amargos e tratamento intensivo. Convicção de dias melhores, mas árduos. Como de costume, sem almoço grátis !
Preparou-se cuidadosamente cumprindo todas as etapas do ritual dominical. Mochila, cantil, botas... o amigo protetor ultravioleta. Chapéu recém-adquirido. O sol cúmplice despontando.
Vinte minutos depois estava de frente às catracas que delimitam as fronteiras do pequeno jardim remanescente da mata atlântica.
Um corredor de coqueiros o recebe como a um rei !
Enche os pulmões com sofreguidão e agradece pelo simples fato de existir. Embora tudo possa ser virtual e menos encantador do que a forma com que se apresenta, afastou Neo de seus pensamentos e concentrou-se nas formas de uma deliciosa Niobe à sua frente. Aos poucos foi se envolvendo com a paisagem desta manhã, única e planejada.
Pensava em seu velho pai, agora acompanhado pela sombra maligna do Alzheimer, estranho renitente presente em artigos científicos que gostava de ler em suas horas vagas e que tornara um obsessivo e angustiante estudo. O sorriso encorajador de sua mãe. O sofrimento silencioso de sua irmã querida. O grande desafio. As prioridades embaralhadas e esquecidas. O mundo aparentemente vazio, agora preenchido por cantos de pássaros escondidos.
O suor declarado misturando-se às lágrimas teimosas.
Para baixo olhou a sua sombra, conhecida e agora triste. A manhã de domingo, agora completamente desperta, trazia famílias em sua diversidade aparente, mas todas iguais em sua essência. Tolstói observador. Crianças alegres e solares, acompanhadas por pais descontraídos e sábios avós. Namorados enamorados... Gargalhadas infantis interrompidas por cantos da natureza.
Continua caminhando, agora em frente às estufas de suas memórias, imutáveis, brilhantes ao sol.
Nas laterais, escadarias de pedras irregulares que levam a portais inacabados, emoldurados por uma vegetação luxuriante, embora confinada e arredia. Seu pai, agora alegre com mais uma vitória do timão. A simplicidade nos gestos. O prazer em uma pizza de mussarela, sua preferida. O pastel de feira. Árias de Verdi. Admiração por Liz Taylor, rival de sua mãe. A paciência infinita em explicar repetidamente a importância de ser correto e honesto. Valores...
As lembranças de uma infância difícil, filho mais velho de uma família numerosa de imigrantes italianos. O casamento por convicção contra tudo e contra todos. A reprovação severa de uma família incompreendida, mas perdoada e justificada. As escolhas novamente difíceis, mas verdadeiras. O sonho em ser arquiteto, desfeito pela vida dura e por professores impiedosos, pregadores da arquitetura para ricos. A vida é bela, mas cara e cruel em suas particularidades. Os dias em uma pensão, quarto subterrâneo de uma cidade de sonhos. Janela com visão para o andar de pessoas apressadas.
Sobe as escadas e atravessa o portal. Stargate !
Ao passar por uma senhora simpática e de chapéu engraçado, é chamado em voz baixa, quase um segredo: "- Veja !"
Macaquinhos ariscos de olhar safado se divertem em brincadeiras inocentes por entre as folhagens de árvores circunspectas e serenas. Ficam incomodadas pelo agito intruso. Consolam Marcelo com suas travessuras, lembrando-o da vida que vale ser transposta em suas alegrias, incertezas e tristezas.
Puro encantamento !
Pequenos instantâneos de uma vida plena. Imediatamente se lembra do Deus de Spinosa: "Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Eu vivo e aí expresso meu amor por ti."
Longos momentos de gratidão em comunhão solitária e silenciosa.
Pelas alamedas do parque a visão do lago repleto de ninféias orgulhosas. Cativado, se detém em sua geometria exuberante e cores delicadas. Ouve a natureza mais uma vez. Cruza com um alienígena com os seus fones de ouvido. Água fresca em uma pausa merecida. Observa as pessoas com curiosidade. Câmeras sofisticadas. Diálogos superficiais. Admiração momentãnea e fugaz em diálogo com seres imortais e misteriosos.
Um bugio marrom-avermelhado se espanta com olhares curiosos, excitados lá embaixo; incompreensíveis. O ser humano, ser curioso e engraçado; pensa displicente. Um moinho d'água preguiçoso. Uma casa rústica para a alegria infantil e fotógrafos eventuais. Bambuzais organizados em uma descida de esperança. Um velho jipe militar com pedais, a alegria do natal, o sorriso paterno inesquecível. Fragmentos de uma infância feliz.
O fusca verde com bancos reclináveis, transformados em uma cama móvel pelas estradas do interior paulistano. Um sorvete de milho. Pão de semolina de um Frango Assado distante. Pescar no Lago Azul com uma varinha de condão. As tardes em um clube verdejante com batatas fritas. A piscina azul com estrias balouçantes de raias olímpicas desafiadoras. A mão firme e segura de seu pai zeloso. Tantas lembranças que começam a ser esquecidas por neurônios cansados causam revolta surda ao seu redor.
O abandono de dirigir, pequeno prazer, pelas ruas da cidade. O pânico súbito por não reconhecer onde está. A lista esquecida do supermercado. Tomou os remédios da lista infindável, ou em dobro ? A consciência da perda gradativa de estar consciente. Como em um sonho afastado, nebuloso e indefinido.
Calor úmido e abafado em uma visita à natureza organizada pelo homem. Estranha e tão insípida perante a grandiosidade e riqueza de nossas paisagens terrestres libertas, tão duramente castigadas.
Placas beta-amilóides acumuladas, uma forma de proteína, que corrói os contatos elétricos de nossas sinapses, tão necessárias ao desfrute da vida abençoada em um planeta condescendente, mas igualmente cansado.
Olha para o céu por instantes eternos em busca de esperança forte e acalentadora.
A aceitação dos acontecimentos sempre fora uma dificuldade para ele. Inconformado, questionador, resistente e lutador. O descrédito por um destino e o acreditar em sua força jedi bradando o seu sabre de luz; indignado e invencível. Sabia que participava, de forma intensa, de um desafio sem precedentes. Ansiava por diagnósticos milagrosos de Dr. House e queria contar com a bravura entrépida de Clint, Sly e Schwarzenegger. Com a energia e resignação de Daisy do conto de Fitzgerald. Por onde andará Tony Stark ?
Não acreditava em Deus. Longe de seus rituais sentia a ausência de conforto proveniente da fé. Acreditava na fé como forma de expressão suprema do cérebro pouco compreendido. A vibração, o foco, a energia advinda de um ponto central.
O estudo e o esclarecimento científico, analítico e racional, preenchiam apenas parte da angústia que sentia. O pensamento positivo, a força do acreditar e o fazer o melhor a todo instante complementavam o espírito de Marcelo.
Entre altos e baixos emocionais, buscava refúgio na natureza, se reenergizava... A beleza do parque, as flores e plantas desconhecidas, o pequeno calango que o observava desconfiado, os peixes vermelhos em vida artificial, patos acostumados ao som de maritacas vadias. O céu azul, nuvens carinhosas. O cheiro do verde, tão caro ao nosso absorto andarilho.
Viver intensamente !
Compartilhar momentos familiares e com as pessoas que lhe eram caras. Fazer o melhor ! Viver e ser melhor: sua missão. O privilégio de conviver tantos anos e de forma plena com seus pais. Gratidão.
Emoção infantil de um cincoentão. Marcelo esboçou um sorriso.
Respirou fundo.
Mais leve e agradecido continuou a sua jornada.
A vida é bela !
Mais precisamente no Alto Paraíso, que tecnicamente está mais próximo do Divino....
Foi assim: simples e natural. Sem muitas considerações, planejamento ou pensamentos. Querendo estar lá apenas. Se sentindo merecedor deste privilégio; mesmo sabendo que os portais poderiam estar fechados ou quem sabe, ser barrado pelos guardiões desta reserva natural, consagrada aos espíritos mais evoluídos e elevados.
Da decisão abrupta, o fluxo de acontecimentos foi contínuo e natural, sem problemas e aparentemente guiado por espíritos da terra: reserva de passagens com horários convidativos, valores sedutores, previsão do tempo com céu de brigadeiro após semanas de intermináveis e contínuas chuvas. Apertei o botão de "start" e deixei o resto fluir.....
Em um piscar de olhos estava desembarcando no pequeno aeroporto da capital federal.
Respirei fundo. Lembrei-me dos momentos agradáveis com a família em fotos rápidas tiradas instantaneamente das inúmeras e empoeiradas gavetas da minha memória. Preparado para a aventura ? Botas, protetor solar, repelente, bermudas e camisetas, chapéu emprestado do Indiana Jones (ou seria do Antonio Banderas ?), óculos de sol do Tom Cruise, pinta de James Bond cearense.....
Um garoto com cara de nerd me cutuca e pergunta em voz baixa:
- Onde você comprou esta camiseta ? Legal...
Respondi que havia ganhado e acrescentei:
- "Eat, sleep and play video" são coisas bem legais, certo ?
- As melhores !
Abri um sorriso em resposta e desisti de dizer outras mais divertidas...
O celular toca; minha carona cinco estrelas chegou !
A razão de minha viagem se materializou à minha frente com um largo sorriso. Emoção contida do reencontro e momentos depois estávamos nos perdendo pelo eixo monumental e pelas asas do distrito federal. Uma voz masculina perdida tagarelava sem parar tentando nos indicar o caminho mais acertado entrecortando as novidades de parte a parte. Um rápido passeio pelos principais cartões postais da cidade e já estávamos enfrentando os duzentos e trinta quilômetros que nos separavam do paraíso. O céu de um puro azul povoado por nuvens rosadas e púrpuras que flutuavam sem que percebêssemos os cordões que as sustentavam. Um horizonte vasto e longínquo se mesclava com as diversas tonalidades de verde recém-lavadas pelas últimas chuvas. Imediatamente todos os problemas da humanidade foram esquecidos ! Sorriso no rosto, olhos fixos em uma sequência de cenários magníficos, o coração feliz.
Soja, milho, feijão..... plantações ao longe entremeadas de montes assustadores de cupins e pastos com vaquinhas de presépio em movimento. Sol firme e majestoso tomando conta de tudo.
Uma parada para avistar o vale verde profundo sulcado pela erosão e que a nossa visão 3D tão pouco apreciada nos proporciona cenas cinematográficas, ao vivo e de beleza única. Impressionante, senti. A vontade de sentar em uma cadeira da natureza e esperar pelo pôr do sol. Uma árvore à beira da estrada anuncia providencialmente: "Só Jesus Salva". Neste momento tive a convicção que estava no rumo certo ao paraíso.
Uma plataforma de gosto duvidoso para receber o disco voador esperado anuncia a entrada da cidade. O misticismo que acompanha as belas paragens do local e a população, misto de nativos e visitantes, alternativos e ecoturistas, que chegam à Chapada dos Veadeiros em busca de comunhão superior e de um significado maior para a existência terrena.
Uma pousada rosada no meio de um jardim florido e verde onde a presença imponente de um velho jatobá demanda respeito pela lei maior da natureza. O céu muito azul me acompanha ao alto.
Conhecer a cidade simples e rústica. Aparentemente igual a tantas outras do interior deste imenso Brasil. Ruas limpas. Gente bem-humorada e sorridente. Longe da pressuposta ingenuidade e, apesar da estada como um forasteiro turista, o contraste com a urbanidade fria e apressada da metrópole, sua gente irritada em busca de um santo graal desconhecido, complicado e distante. Nasci na cidade. O meu conhecimento da flora se restringe a árvores, arbustos e grama. É um mistério total de onde as frutas são colhidas, o milagre da floração em seus milhares de tipos. Pássaros são pássaros e pertencem exclusivamente a esta categoria emplumada sem especificações técnicas que os diferenciem.... gatos e cães fazem parte do meu mundo doméstico. E só ! A ausência de um interesse mais pronunciado não se justifica. Estar no paraíso é uma aula de simplicidade ! Estar desconectado de tudo e de todos nos faz enxergar que necessitamos de muito pouco para vivermos bem, em harmonia com o que nos cerca e, principalmente, com a gente mesmo. Damos prioridades a coisas sem importância e perseguimos metas que a sociedade e o consumo de massa nos impõem. Em um local assim a sofreguidão e dependência do mundo virtual deixam de ter qualquer sentido. A simplicidade ficou estampada em meu cérebro com seus poucos neurônios especialistas em ebulição...
Pausa para um delicioso sorvete de frutos do cerrado: jatobá, aracutim, cagaita, buriti ! Exóticos e saborosos... ao som de músicas sertanejas que contam causos de amores frustrados, infidelidades e muita dor de cotovelo goiano...
Felicidade é acordar de madrugada e se deslumbrar com o céu estrelado e brilhante, que nos acostumamos a ver em fotos [retocadas por photoshop ?] ou em filmes juvenis. Esperar o sol se levantar por trás das chapadas perfileiradas em camadas ao longe. Praticar Lian Gong sentindo o cheiro do mato, tentando localizar grilos falantes e cigarras madrugadoras. Apurar os sentidos.... onde e quando fazemos isso em nossa importante e atribulada vida urbana ?
As cores violáceas vão despertando com o dia.
Tucanos aos pares nas árvores. Sem cerimônia mostram a sua vida familiar em um alegre café da manhã.
Uma nuvem de maritacas fofoqueiras invade as árvores da pousada. Contam freneticamente todas as novidades do paraíso.
Araras escandalosas fazem parte do cotidiano do lugar.
Ver, ouvir, cheirar para guardar a sensação da felicidade simples e corriqueira.
Durante os dias conhecer exuberantes cachoeiras e corredeiras que se apresentam depois de caminhar longos quilômetros por trilhas solitárias. Vales, chapadas, montes, rios em sucessão. O indescritível momento de se descobrir o salto vertiginoso de água volumosa e barulhenta. A insignificância do ser humano perante o espetáculo que nos foi legado. E como a inconsequência, a irresponsabilidade, o espírito destruidor e ganancioso do homem causam a repugnância em seu mais alto grau. Fiquei a pensar que todos deveriam conhecer lugares assim para se conscientizarem da beleza de nosso planeta e se tornarem ativos na preservação do meio ambiente. Lembra muito as apresentações PPS que recebemos diariamente, óbvias, mas verdadeiras. Assim como reforçou o meu conceito de que as crianças precisam ter animais de estimação para uma conexão afetiva que as leve a respeitar, cuidar e preservar. As pessoas que moram no paraíso ou em ambientes rurais e pequenas cidades possuem em suas casas um pomar, uma horta. Árvores antigas que passam de geração para geração ou que são apreciadas e preservadas por novos inquilinos ou proprietários. Se habituam a ver as plantas e árvores crescerem e a se beneficiarem de seus frutos. Respeitam as estações: chuva ou seca. Aceitam os caprichos da natureza. A essência da educação ambiental. Claro que há as queimadas assassinas provocadas por proprietários de terra inescrupulosos. Nem mesmo o paraíso está livre de tais espíritos predadores.
Outro pensamento que me ocorreu: temos o mau hábito de querermos ter as coisas, possuir e não apreciar, compartilhar ! A natureza é silenciosa e nos ensina o tempo todo... está lá, com seu dinamismo harmonioso, vinte e quatro por dia, sete dias por semana. Basta ter olhos para apreciar !
O dia da volta chegou.
Uma chuva impiedosa, zangada pela ingratidão daqueles que ousam deixar o paraíso.
Tristeza profunda, mas com o espírito renovado. Viver no paraíso, ainda que por poucos dias deixou certamente marcas indeléveis por todo o meu ser.
A estrada de volta se tornara imagem de um video game alucinante, onde a habilidade de um mestre motorista foi requisitada ao extremo. Buracos de todos os tamanhos e formas, que mais lembravam crateras lunares, se espalharam por todo o asfalto. Lembrei-me de Han Solo e sua Millenium Falcon atravessando cinturão de asteroides ao ser perseguido por caças da federação ! Emoção....
Sozinho na sala de embarque.
Imagens fortes de uma estada feliz. Já querendo retornar...
O choque do acordar !
Motorista de táxi mal humorado. Jogo de futebol no rádio.
Buzinas irritantes, concreto por todo lado, árvores enjauladas, céu opaco.
O retorno à vida de sempre. Será ?
Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome: Autoestima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia e meu sofrimento emocional, não passam de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para meu crescimento.
Hoje chamo isso de Amadurecimento
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo forçar alguma situacão ou alguém, inclusive a mim mesmo, somente para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou que a pessoa não está preparada.
Hoje sei que o nome disso é Respeito.
Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável…
Pessoas, tarefas, toda e qualquer coisa que me pusesse para baixo.chamou a essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que isso se chama Amor próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre, desistí de fazer grandes planos e abandonei os projetos megalômanos para o futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desistí de querer ter sempre razão e, dessa maneira, errei menos.
Hoje descobri a Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro.
Agora, mantenho-me no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez.
Isso é Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode atormentar-me e decepcionar-me. Mas, quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é SABER VIVER!
Consternados com os terremotos e tsunami que assolaram a costa norte-nordeste do Japão, causando numerosas vítimas e enormes prejuízos, queremos manifestar a nossa mais profunda solidariedade para com o povo japonês.
A coragem e disciplina com que o povo vem enfrentando a tragédia, e a pronta ação das ...autoridades no socorro às vítimas, causam-nos admiração.
Inúmeros países vêm oferecendo ajuda, inclusive o Brasil, através do Governo Federal e da Embaixada Brasileira em Tokyo. As cinco entidades subscritoras desta mensagem já expressaram ao Senhor Cônsul Geral do Japão em São Paulo e ao Governo do Japão os sentimentos de solidariedade e a intenção de coordenar uma campanha de ajuda às vítimas.
Sabemos também da grande preocupação das pessoas que possuem parentes e amigos no Japão, e dessa angústia todos nós compartilhamos. É muito importante que as pessoas tenham notícias umas das outras, mas evitando sobrecarregar os meios de comunicação, atualmente precários no Japão. Informamos que no Google Finder está disponível o link http://japan.person-finder.appspot.com/, para busca e prestação de informações sobre pessoas.
Para a ajuda humanitária que estamos coordenando, foram abertas quatro contas bancárias especiais, nas quais poderão ser efetuados depósitos de qualquer valor.
Que a nossa contribuição, embora modesta, sirva de lenitivo para a grande dor e adversidade por que passa o povo japonês.
Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social
Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo
Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil
Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil
Aliança Cultural Brasil-Japão "
Campanha de Arrecadação às Vítimas do Japão
Foram divulgadas as contas para a Campanha de Arrecadação às Vítimas no Japão. As contribuições serão arrecadadas até o dia 30 de abril de 2011 e podem ser feitos depósitos de quaisquer valores. Ressaltamos que nenhum indivíduo está autorizado a coletar doações em... nome do Bunkyo e das demais entidades.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CULTURA JAPONESA E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - BUNKYO
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Queria falar de um ídolo meu, o físico americano ganhador do Nobel em 1965 pelo seu trabalho em eletrodinâmica quântica, Mr. Richard Feynman. Um gênio ímpar, que além dos seus trabalhos em física teórica, foi pioneiro na área de computação quântica e no conceito de nanotecnologia. Isto em 1959 ! Trabalhou no Projeto Manhattan, publicou os famosos volumes Feynman Lectures on Physics, chefiou a comissão que investigou o acidente do ônibus espacial Challenger em 1986 e tocou bongô em uma escola de samba no Rio quando esteve lecionando no início da década de 50. Escreveu livros inesquecíveis, onde destaco "O Senhor está Brincando, Sr. Feynman ?" onde conta as suas experiências divertidíssimas em Los Alamos e no Brasil ! A excentricidade aliada ao gênio de curiosidade ilimitada que fez comentários ao ensino de física no Brasil há quase 60 anos atrás e que, infelizmente, são válidos até hoje. Segue uma transcrição destas observações....
Ensino da Física no Brasil segundo Richard Feynman
"Em relação à educação no Brasil, tive uma experiência muito interessante. Eu estava dando aulas para um grupo de estudantes que se tornariam professores, uma vez que àquela época não havia muitas oportunidades no Brasil para pessoal qualificado em ciências. Esses estudantes já tinham feito muitos cursos, e esse deveria ser o curso mais avançado em eletricidade e magnetismo – equações de Maxwell, e assim por diante.
Descobri um fenômeno muito estranho: eu podia fazer uma pergunta e os alunos respondiam imediatamente. Mas quando eu fizesse a pergunta de novo – o mesmo assunto e a mesma pergunta, até onde eu conseguia –, eles simplesmente não conseguiam responder! Por exemplo, uma vez eu estava falando sobre luz polarizada e dei a eles alguns filmes polaróide.
O polaróide só passa luz cujo vetor elétrico esteja em uma determinada direção; então expliquei como se pode dizer em qual direção a luz está polarizada, baseando-se em se o polaróide é escuro ou claro.
Primeiro pegamos duas filas de polaróide e giramos até que elas deixassem passar a maior parte da luz. A partir disso, podíamos dizer que as duas fitas estavam admitindo a luz polarizada na mesma direção – o que passou por um pedaço de polaróide também poderia passar pelo outro. Mas, então, perguntei como se poderia dizer a direção absoluta da polarização a partir de um único polaróide.
Eles não faziam a menor idéia.
Eu sabia que havia um pouco de ingenuidade; então dei uma pista: “Olhe a luz refletida da baía lá fora”.
Ninguém disse nada.
Então eu disse: “Vocês já ouviram falar do Ângulo de Brewster?”
– Sim, senhor! O Ângulo de Brewster é o ângulo no qual a luz refletida de um meio com um índice de refração é completamente polarizada.
– E em que direção a luz é polarizada quando é refletida?
– A luz é polarizada perpendicular ao plano de reflexão, senhor. Mesmo hoje em dia, eu tenho de pensar; eles sabiam fácil! Eles sabiam até a tangente do ângulo igual ao índice!
Eu disse: “Bem?”
Nada ainda. Eles tinham simplesmente me dito que a luz refletida de um meio com um índice, tal como a baía lá fora, era polarizada: eles tinham me dito até em qual direção ela estava polarizada.
Eu disse: “Olhem a baía lá fora, pelo polaróide. Agora virem o polaróide”.
– “Ah! Está polarizada”!, eles disseram.
Depois de muita investigação, finalmente descobri que os estudantes tinham decorado tudo, mas não sabiam o que queria dizer. Quando eles ouviram “luz que é refletida de um meio com um índice”, eles não sabiam que isso significava um material como a água. Eles não sabiam que a “direção da luz” é a direção na qual você vê alguma coisa quando está olhando, e assim por diante. Tudo estava totalmente decorado, mas nada havia sido traduzido em palavras que fizessem sentido. Assim, se eu perguntasse: “O que é o Ângulo de Brewster?”, eu estava entrando no computador com a senha correta. Mas se eu digo: “Observe a água”, nada acontece – eles não têm nada sob o comando “Observe a água”.
Depois participei de uma palestra na faculdade de engenharia. A palestra foi assim: “Dois corpos… são considerados equivalentes… se torques iguais… produzirem… aceleração igual. Dois corpos são considerados equivalentes se torques iguais produzirem aceleração igual”. Os estudantes estavam todos sentados lá fazendo anotações e, quando o professor repetia a frase, checavam para ter certeza de que haviam anotado certo. Então eles anotavam a próxima frase, e a outra, e a outra. Eu era o único que sabia que o professor estava falando sobre objetos com o mesmo momento de inércia e era difícil descobrir isso.
Eu não conseguia ver como eles aprenderiam qualquer coisa daquilo. Ele estava falando sobre momentos de inércia, mas não se discutia quão difícil é empurrar uma porta para abrir quando se coloca muito peso do lado de fora, em comparação quando você coloca perto da dobradiça – nada!
Depois da palestra, falei com um estudante: “Vocês fizeram uma porção de anotações – o que vão fazer com elas?”
– Ah, nós as estudamos, ele diz. Nós teremos uma prova.
– E como vai ser a prova?
– Muito fácil. Eu posso dizer agora uma das questões. Ele olha em seu caderno e diz: “Quando dois corpos são equivalentes?” E a resposta é: “Dois corpos são considerados equivalentes se torques iguais produzirem aceleração igual”. Então, você vê, eles podiam passar nas provas, “aprender” essa coisa toda e não saber nada, exceto o que eles tinham decorado.
Então fui a um exame de admissão para a faculdade de engenharia. Era uma prova oral e eu tinha permissão para ouvi-la. Um dos estudantes foi absolutamente fantástico: ele respondeu tudo certinho! Os examinadores perguntaram a ele o que era diamagnetismo e ele respondeu perfeitamente. Depois eles perguntaram: “Quando a luz chega a um ângulo através de uma lâmina de material com uma determinada espessura, e um certo índice N, o que acontece com a luz?
– Ela aparece paralela a si própria, senhor – deslocada.
– E em quanto ela é deslocada?
– Eu não sei, senhor, mas posso calcular. Então, ele calculou. Ele era muito bom. Mas, a essa época, eu tinha minhas suspeitas.
Depois da prova, fui até esse brilhante jovem e expliquei que eu era dos Estados Unidos e que eu queria fazer algumas perguntas a ele que não afetariam, de forma alguma, os resultados da prova. A primeira pergunta que fiz foi: “Você pode me dar algum exemplo de uma substância diamagnética?”
– Não.
Aí eu perguntei: “Se esse livro fosse feito de vidro e eu estivesse olhando através dele alguma coisa sobre a mesa, o que aconteceria com a imagem se eu inclinasse o copo?”
– Ela seria defletida, senhor, em duas vezes o ângulo que o senhor tivesse virado o livro.
Eu disse: “Você não fez confusão com um espelho, fez?”
– Não senhor!
Ele havia acabado de me dizer na prova que a luz seria deslocada, paralela a si própria e, portanto, a imagem se moveria para um lado, mas não seria alterada por ângulo algum. Ele havia até mesmo calculado em quanto ela seria deslocada, mas não percebeu que um pedaço de vidro é um material com um índice e que o cálculo dele se aplicava à minha pergunta.
Dei um curso na faculdade de engenharia sobre métodos matemáticos na física, no qual tentei demonstrar como resolver os problemas por tentativa e erro. É algo que as pessoas geralmente não aprendem; então comecei com alguns exemplos simples para ilustrar o método. Fiquei surpreso porque apenas cerca de um entre cada dez alunos fez a tarefa. Então fiz uma grande preleção sobre realmente ter de tentar e não só ficar sentado me vendo fazer.
Depois da preleção, alguns estudantes formaram uma pequena delegação e vieram até mim, dizendo que eu não havia entendido os antecedentes deles, que eles podiam estudar sem resolver os problemas, que eles já haviam aprendido aritmética e que essa coisa toda estava abaixo do nível deles.
Então continuei a aula e, independente de quão complexo ou obviamente avançado o trabalho estivesse se tornando, eles nunca punham a mão na massa. É claro que eu já havia notado o que acontecia: eles não conseguiam fazer!
Uma outra coisa que nunca consegui que eles fizessem foi perguntas. Por fim, um estudante explicou-me: “Se eu fizer uma pergunta para o senhor durante a palestra, depois todo mundo vai ficar me dizendo: “Por que você está fazendo a gente perder tempo na aula? Nós estamos tentando aprender alguma coisa, e você o está interrompendo, fazendo perguntas”.
Era como um processo de tirar vantagens, no qual ninguém sabe o que está acontecendo e colocam os outros para baixo como se eles realmente soubessem. Eles todos fingem que sabem, e se um estudante faz uma pergunta, admitindo por um momento que as coisas estão confusas, os outros adotam uma atitude de superioridade, agindo como se nada fosse confuso, dizendo àquele estudante que ele está desperdiçando o tempo dos outros.
Expliquei a utilidade de se trabalhar em grupo, para discutir as dúvidas, analisá-las, mas eles também não faziam isso porque estariam deixando cair a máscara se tivessem de perguntar alguma coisa a outra pessoa. Era uma pena! Eles, pessoas inteligentes, faziam todo o trabalho, mas adotaram essa estranha forma de pensar, essa forma esquisita de autopropagar a “educação”, que é inútil, definitivamente inútil!"
Algumas tiradas geniais de Richard Feynman:
- "Poets say science takes away from the beauty of the stars — mere globs of gas atoms. Nothing is "mere". I too can see the stars on a desert night, and feel them. But do I see less or more?" [The Feynman Lectures on Physics: Mainly Mechanics, Radiation, and Heat, de Richard Phillips Feynman, Robert B. Leighton, Matthew L. Sands - Publicado por Addison-Wesley, 1963]
- "I think I can safely say that nobody understands quantum mechanics" [The Character of Physical Law (1965) Ch. 6; MIT Press, 1967]
- "There are 1011 stars in the galaxy. That used to be a huge number. But it's only a hundred billion. It's less than the national deficit! We used to call them astronomical numbers. Now we should call them economical numbers." [Richard Feynman, 4 de dezembro de 1987, citado em Astronomically inadequate, The Economist]
- "Physics is to mathematics what sex is to masturbation" [Richard Feynman citado em "Physically speaking: a dictionary of quotations on physics and astronomy" - Página 215, Carl C. Gaither, Alma E. Cavazos-Gaither - CRC Press, 1997, ISBN 0750304707, 9780750304702 - 492 página]
- "If you think you understand quantum mechanics, you don't understand quantum mechanics." [citado em "Armageddon now: the end of the world A to Z" - Página 337, Jim Willis, Barbara Willis - Visible Ink Press, 2005, ISBN 0780809238, 9780780809239 - 450 páginas]
Cinema: A Rede Social ! Filmaço sobre a genialidade de Mark Zuckerberg e a sua criação maior: Facebook !
"People wanna go online and check out their friends, so why not build a website that offers that. I'm talking about taking the entire social experience of college and putting it online."["As pessoas querem estar online e encontrar os seus amigos, então porque não construir um website que ofereça isso. Estou falando em colocar toda a vivência social da faculdade online." - Mark Zuckerberg]
The Social Network
A Rede Social, 2010 [Universal Pictures Home Entertainment]
"If you guys were the inventors of Facebook, you'd have invented Facebook. "["Se vocês fossem os inventores do Facebook, vocês teriam inventado o Facebook" - Mark Zuckerberg]
"The internet's not written in pencil, Mark. It's written in ink." ["A internet não é escrita a lápis, Mark. É escrita a tinta." - Erica Albright]
O ano de 2010 se encerra festivamente como sendo o ano do Facebook tendo o rosto de seu maior protagonista, Mark Zuckerberg, estampado nas principais publicações mundiais, com destaque para a Time e a sua edição de Personalidade do Ano. Aos 26 anos, bilionário, Mark é a segunda personalidade mais jovem a estampar a capa especial da publicação, atrás apenas de Charles Lindbergh, eleito o homem do ano pela revista em 1928, aos 25 anos.
Mais do que um rosto juvenil, a foto da Time vem a se somar ao filme de David de Fincher [The Curious Case of Benjamin Button, 2008] e a identificá-lo para o mundo como o criador de algo que vem mudando a maneira das pessoas se relacionarem fazendo uso do universo virtual e acessível, uma verdadeira revolução que envolve atualmente mais de 500 milhões de usuários ! Este garoto nerd retratado soberbamente pelo roteiro de Aaron Sorkin [The West Wing, 1999-2006] e descrito em uma linguagem leve e fluida por Ben Mezrich [Bringing Down the House: The Inside Story of Six M.I.T. Students Who Took Vegas for Millions, livro que deu origem ao filme 21, Robert Luketic, 2008] em seu livro, Bilionários por Acaso [The Accidental Billionaires: The Founding of Facebook - A Tale of Sex, Money, Genius & Betrayal, 2009], está a frente de um negócio iniciado em um dormitório de Kirkland em Harvard em 2003, avaliado pela Financial Times em mais de 35 bilhões de obamas, ultrapassando gigantes da internet como Yahoo e eBay.
Assim sendo, assistir ao filme The Social Network é quase uma obrigação, sobretudo nos tempos de redes sociais e relacionamentos virtuais em que vivemos. Se você não é ainda usuário do Facebook, certamente se tornará um em breve, como fazem aproximadamente um milhão de novos cadastrados por dia !
Aquilo que poderia ser retratado como uma história de sucesso banal levado às telas de forma cartesiana e desinteressante assume proporções inigualáveis nas mãos do talentoso David Fincher. Diferentemente do aborrecido Pirates of Silicon Valley [Martyn Burke, 1999] que conta a história de dois monstros sagrados da tecnologia - Bill Gates & Steve Jobs, o filme é delicioso e impõe um dinamismo a história que surpreende desde a primeira e emblemática cena. Esta cena que se passa em um suposto bar estudantil e que apresentam os personagens Mark Zuckerberg [Jesse Eisenberg, Zombieland, Ruben Fleischer, 2009] e Erica Albright [Rooney Mara, A Nightmare on Elm Street, Samuel Bayer, 2010] aos espectadores é o pontapé inicial e a razão para os acontecimentos que se seguem até o estrondoso sucesso do Facebook, "A" Rede Social, como diz o título, entre tantas outras que se perderam pelo caminho, tais como Google Buzz, MySpace, Friendster.
"You are probably going to be a very successful computer person. But you're going to go through life thinking that girls don't like you because you're a nerd. And I want you to know, from the bottom of my heart, that that won't be true. It'll be because you're an asshole." ["Você provavelmente será uma pessoa muito bem sucedida no mundo dos computadores. Mas você passará a vida pensando que as garotas não gostam de você porque você é um nerd. E eu quero que você saiba, do fundo do meu coração, que isto não é verdade. É porque você é um idiota." - Erica Albright]
A linha adotada por Aaron Sorkin em seu brilhante roteiro é muito distinta do fio condutor da narrativa da história recente do livro de Ben Mezrich. Embora, o filme se apresente como baseado no livro, na realidade os dois textos foram concluídos quase simultaneamente e se complementam. Ao ler o livro, percebe-se claramente o que um roteiro de qualidade e a visão de um grande cineasta fazem toda a diferença do mundo. Dois pontos se sobressaem nas diferenças entre o filme e o livro: a participação sobrevalorizada de Erica na composição do personagem em suas dificuldades sociais e a discussão dos advogados entre as partes conflitantes, de um lado Mark, nos outros dois vértices, os irmãos Winklevoss / Divya Narendra e Eduardo Saverin. David Fincher atualmente se junta à uma classe de elite em que se encontram poucos diretores autorais unânimes, tais como Christopher Nolan [Inception, 2010], Tim Burton [Alice in Wonderland, 2010], Quentin Tarantino [Kill BIll, 2003-04], Peter Jackson [The Lord of the Rings, 2001-03] e Jim Cameron [Avatar, 2009], para citar apenas alguns.
Um dos aspectos interessantes do filme é a rapidez com que chega às telas uma história surpreendentemente recente e que está longe de uma conclusão em meio ao caldeirão efervescente e inovador que é o vale da tecnologia na Califórnia. Como diz Sean Parker [Justin Timberlake, The Open Road, Michael Meredith, 2009]: A Califórnia é onde tudo acontece !". Como tanto o livro, quanto o filme, não foram efetivados com a aprovação e consulta aos principais envolvidos, trata-se de uma ficção, como bem definiu o próprio Zuckerberg ao assistir o filme. O brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, interpretado com vigor pelo futuro homem-aranha, Andrew Garfield, foi mais reticente ao comentar ser divertido ao se ver nas telas e constatar o que é verdadeiro e o que é ficção...
"A guy who makes a nice chair doesn't owe money to everyone who has ever built a chair. " ["Um cara que faz uma cadeira legal não deve dinheiro a qualquer um que não tenha sequer feito uma cadeira." - Mark Zuckerberg]
De qualquer forma, tanto o filme, quanto o livro, concedem total liberdade para as inúmeras interpretações e amarrações ao que é narrado, deixando ao espectador / leitor, em maior ou menor grau, a divertida tarefa de encontrar contradições e lacunas deixadas pelos principais personagens deste episódio inacabado de uma empresa que já deixou a sua marca através do espaço conquistado em seus 6 anos de existência.
O filme conta a história, já lendária, de um estudante incomum de Ciência de Computação na tradicional e exclusiva Harvard, Mark Zuckerberg, que ao tomar um simples "pé no traseiro" de sua namorada Erica Albright, desencadeia em ritmo frenético e alucinante a concepção do Facebook.
A amizade improvável com Eduardo Saverin, que se mudou para Miami com a família aos 13 anos, depois de ser listado como potencial sequestrável em uma relação de ilustres lucrativos, aluno de Economia com futuro promissor, participante do grupo de investidores do campus e prestes a se tornar membro do clube exclusivo Phoenix. Em comum com Mark, o compartilhamento do sentimento de querer fazer parte dos limitados e exclusivos Final Clubs, traçar algumas meninas...
"You know what's cooler than a million dollars?" ["Você sabe o que é mais bacana do que um milhão de dólares ?" - Sean Parker] "You ?" ["Você ?" - Mark Zuckerberg] "A billion dollars." ["Um bilhão de dólares ?" - Sean Parker]
Aliás, transar é o catalisador comum a todos os universitários com suas baterias de hormônios efervescentes, e que os motiva a desenvolver e a participar de redes sociais visando conhecer as estudantes, suas grades de matérias , seus interesses e preferências, onde estarão, e por aí vai... Brincadeiras nem tanto inconsequentes e criativas como o Facemash, além de denotar uma habilidade incomum para hackear sites da universidade, a fim de baixar e catalogar as alunas em uma comparação, duas a duas, para eleger a garota mais gostosa do campus, são exibidas ao som de um White Stripes contagiante em um dos muitos dormitórios de Kirkland. Aliás, esta sequência é magistral e poderia estar em qualquer vídeoclip da MTV !
A contribuição de Eduardo é incontestável e as artimanhas contratuais orquestradas por Mark e Sean no decorrer da história soam como uma traição cruel e fria do mundo dos negócios. Entretanto, o comportamento e comprometimento de Eduardo com os acontecimentos e fatos que desfilam à sua frente em uma velocidade incontrolável faz dele uma testemunha passiva e oclusa e sacramenta desta forma caminhos distintos ao longo da história do Facebook. Não há mocinhos e bandidos nesta história, daí a ficção ser envolvente e verossímil, trazendo-nos personagens, biográficos e reais ou não, que poderiam estar convivendo ao nosso lado.
"We lived in farms, then we lived in cities, and now we're gonna live on the internet! " ["Vivemos em fazendas, então vivemos em cidades, e agora vamos viver na internet !" - Sean Parker]
A caracterização de Mark apresenta uma série de incógnitas quanto ao seu comportamento obtuso, sua motivação obsessiva na construção do site, seu foco quase sobrenatural, sua dificuldade em se expressar e comunicar as suas emoções, a completa inabilidade em suas relações mais próximas, seu jeito nerd com suas indefectíveis sandálias Adidas e moletons encapuzados, além de sua fragrante genialidade. Tudo isso faz dele um personagem icônico com todos os atrativos de um fascinante ídolo de massa.
O imbróglio com os gêmeos univitelinos Tyler e Cameron Winklevoss [Armie Hammer de séries famosas como Reapper e Gossip Girl, 2009], modelos de atletas bem sucedidos, ricos e pertencentes ao clube mais exclusivo da universidade, Porcellian, famosos e imbatíveis remadores de Harvard, populares com as garotas e entre os seus pares. A antítese perfeita da dupla Mark & Eduardo, é a máxima de se estar no local certo e na hora certa. Sem dúvida alguma este episódio fortuito contribuiu sobremaneira para a ignição da faísca detonante para a criação do Facebook. A convergência de idéias culminando com o tempero final denominado exclusividade para usuários pertencentes ao campus e convidados a participar, emulando a vida real dos estudantes de uma das mais famosas e conceituadas universidades do mundo. O confronto levado aos escritórios de advocacia calcado na discussão sobre propriedade intelectual, apropriação e a importância em sair na frente, são pontos discutidos que permeiam o filme sustentados por diálogos ágeis e inteligentes. Há um certo revanchismo dos nerds, estigmatizados em relação à cultura vigente e à rebeldia juvenil e as festas e encontros universitários transpiram este sentimento retratando o dia a dia das universidades americanas.
"You think you know me, don't you ?" ["Você pensa que me conhece, não é ?" - Sean Parker] "I've read enough." ["Li o suficiente." - Eduardo Saverin] "YYou know how much I've read about you? " ["Você sabe o quanto li à seu respeito ?" - Sean Parker] "Nothing." ["Nada." - Sean Parker]
A entrada estilosa da figura de Sean Parker, cofundador com Shawn Fanning [criador] do Napster em 1999, na vida dos fundadores do Facebook é impactante e bem retratada no filme, acrescentando a visão de investimentos e a efetivação de um negócio de um bilhão de obamas. A explicação mais detalhada é descrita no livro de Mezrich contando os empreendimentos e a atuação de Sean, bem como características acentuadas de sua personalidade esfuziante e contagiante. Se não houvesse Sean Parker o progresso e a popularização do Facebook não teriam sido na velocidade vertiginosa que a história agora nos conta. Não basta ter uma boa idéia, é necessário que a transforme em um negócio ! E Sean Parker era o cara certo, provido de uma aguda visão empreendedora e de negócios de tecnologia. Além de sua ambição e egolatria, é o personagem mais calculista e manipulador da história, quase um vilão. Entretanto, será sobrepujado pelo focado Mark.
"Zuckerberg stole our idea! It's been live for 36 hours now. " ["Zuckerberg roubou a nossa idéia ! Está no ar há 36 horas !" - Divya Narendra]
Escrever sobre o filme The Social Network é comentar principalmente sobre a atuação da trinca de protagonistas, que ao lado do roteirista e do diretor, levam esta película a um patamar diferenciado e que certamente serão lembrados na premiação badalada hollyoodiana.
O novaiorquino Jesse Eisenberg já havia nos brindado recentemente com o seu Columbus de Zombieland e faz um Mark Zuckerberg magnífico e carismático. Constrói um personagem crível que ambiciona a exclusividade de clubes fechados e seletivos como portal para acesso a pessoas que dificilmente teria contato, como pondera com Erica durante o diálogo inicial. A sensação que passa de rejeição e desconforto social, além de certa inveja da ascensão do status estudantil de Eduardo ao entrar no Phoenix S-K, está na medida de sua genialidade e concentração no desenvolvimento de aplicações como Synapse [um MP3 Player artificialmente inteligente que aprendia os hábitos musicais de seus usuários], Coursematch [aplicação que permitia aos estudantes verem listas de outros alunos matriculados nas mesmas classes], Facemash e finalmente Facebook. Há momentos imperdíveis da atuação de Eisenberg como quando observa a chuva durante as tratativas com os advogados, ao divulgar a sua idéia a Eduardo do lado de fora da festa carimbenha, seu comportamento perante o conselho da universidade e por aí vai.
"Made an app for MP3s that recognizes the user's taste in music. " ["Fiz um aplicativo para MP3 que reconhecia o gosto musical do usuário." - Mark Zuckerberg] "Anyone try to buy it ?" ["Alguém quis comprar ?" - Marylin Delpy] "Microsoft. " - Mark Zuckerberg
Andrew Garfield é o contraponto de Jesse na trama e equilibra sua atuação vestindo a pele do ex-melhor amigo, misto de yuppie universitário, com homem de negócios de visão comercial e de investimentos, mas também com grande dificuldade em lidar com a avalanche de fatos desencadeados pelo sucesso do Facebook, aliado a uma boa dose de imaturidade. Sua atuação é equilibrada e a angústia de sentir que o bonde caminha para uma direção diferente de sua previsão é passada com correção para aqueles que acompanham a saga. Há uma expectativa generalizada de como se sairá o seu Peter Parker !
Já o personagem de Sean Parker não poderia encontrar um ator mais a vontade do que o surpreendente Justin Timberlake. O pseudovilão do filme, ponto de discórdia entre Mark e Eduardo, é a terceira perna deste vigoroso tripé que fez do Facebook a realidade estrondosa de hoje. Justin incorpora a egolatria e a ambição do jovem mais velho da história, calcado em suas experiências com a Napster e a Plaxo. Um certo desequilíbrio pincela o caráter deste descolado empreendedor que sequer entrou em qualquer universidade e tanto tem a ensinar a dupla nerd recém "debutada" na dura e competitiva realidade do Vale do Silício. Sem dúvida alguma Justin Timberlake se sai muito melhor ator do que cantor. Faz um Sean Parker sedutor, inteligente e ardioloso, além de um determinado empreendedor com fraco por Lolitas e pela boa vida proporcionada pelo dinheiro e influência. Tem toda pinta de indicação para o Oscar de ator coadjuvante...
"You must really hate the Winklevosses. " ["Você deve realmente odiar os Winklevosses."- Marylin Delpy] "I don't hate anybody. The "Winklevii" aren't suing me for intellectual property theft. They're suing me because for the first time in their lives, things didn't go exactly the way they were supposed to for them. " ["Eu não odeio ninguém. Os Winklevosses não estão me processando por roubo de propriedade intelectual. Estão me processando porque pela primeira vez na vida deles, as coisas não estão saindo exatamente da maneira como deveriam acontecer para eles."- Mark Zuckerberg]
Algumas curiosidades do filme: A produção do filme estimada em 50 milhões de obamas faturou até o início de dezembro quase o dobro do seu custo somente nos EUA ! Justin Timberlake foi o único ator a se encontrar com o seu personagem, Sean Parker. Entretanto, segundo Sean, nada haveria a aprender já que a caracterização efetuada nada tinha de semelhança com ele. A cena inicial no bar entre Jesse Eisenberg e Rooney Mara teve 99 takes para as oito páginas do roteiro. Durante as cenas com os advogados das partes litigantes, é mencionado que o Facebook "é o maior acontecimento do campus que inclui 19 premiados com o Nobel, 15 ganhadores do Prêmio Pulitzer, 2 futuros atletas olímpicos e uma estrela do cinema". A estrela de cinema não informada no filme é Natalie Portman que frequentou Harvard entre 1999 e 2003, e forneceu subsídios a Aaron Sorkin sobre a vida universitária no campus.
"What are you doing ? " ["O quê você está fazendo ?" - Marylin Delpy] "Checking in to see how it's going in Bosnia. " ["Checando como as coisas estão indo na Bósnia. " - Mark Zuckerberg] "Bosnia. They don't have roads, but they have Facebook. " ["Bósna. Eles não têm ruas, mas têm Facebook" - Marylin Delpy]
The Social Network é um grande filme de um diretor que sabe o que quer e aonde quer chegar, brilhante e autorial. Fico de pé e tiro o meu chapéu para David Fincher !
Ao ler Bilionários por Acaso de Ben Mezrich, correto, fluido e divertido, mas não inesquecível, me dou conta da importância de um bom roteiro dentro de qualquer projeto cinematográfico. Diria até que o resultado da produção é determinado pelas idéias claras do roteirista, seus diálogos e composição dos personagens. Material consistente e substancial para que um talentoso diretor possa transformá-lo em uma realização significativa. Aaron Sorkin fez um magnífico trabalho neste roteiro excepcional que capta a essência da história ainda por ser concluída e transmite a densidade e as sutilezas de um assunto tão atual.
Prestem atenção a trilha sonora que inclui The White Stripes, The Cramps, Dead Kennedys, Bob Marley & The Wailers, Super Furry Animals, The Beatles. Além dos clássicos George Frideric Handel e Edvard Grieg.
"Money or the ability to make it doesn't impress anybody around here." ["Dinheiro ou a habilidade de fazer dinheiro não impressiona ninguém por aqui." - Mark Zuckerberg]
"Your best friend is suing you for 600 million dollars. " ["Seu melhor amigo está processando você em 600 milhões de dólares."] "[sarcastically] I didn't know that; tell me more! " ["sarcasticamente - Eu não sabia disso; fale mais a respeito !." - Mark Zuckerberg]
Resumindo:
Se ainda não o fizeram, assistam ao filme urgentemente ! Leiam o livro e curtam as músicas desta produção que talvez seja o melhor filme de 2010 !
Poster do Filme:
Trailer do Filme
Press Conference: The Social Network > Jesse Eisenberg / Andrew Garfield / Justin Timberlake / Aaron Sorkin
A chuva para a maioria das pessoas traz uma cor triste, azul-acinzentada, para as suas vidas. Uma certa dose de melancolia, talvez provocada pela umidade, pela monotonia dos pingos que caem, talvez pela necessidade do uso de apetrechos adicionais, inúteis debaixo de sol. Não sei ao certo.
Sei que o mal tempo, conhecido por nós, provoca dificuldades adicionais no trânsito, torna as vias mais perigosas e escorregadias, acidentes são mais comuns, além de transtornos maiores como desmoronamentos, enchentes, acidentes aéreos, etc. Traz ainda a necessidade de andar semi-protegido, carregando aquele instrumento patético e primitivo, em constante batalha nas ruas lotadas de transeuntes apressados. O metrô e os ônibus, aparentemente mais cheios, e, certamente mais úmidos, em um ambiente abafado de janelas fechadas e embaçadas, incitam o desânimo e abatimento em uma população escravizada pelo trabalho diário e mal pago. Pelas ruas e avenidas, falsos corredores de escoamento, veículos ansiosos e nervosos estão parados, a sincronia do único movimento percebido através de suas palhetas em infinita negação, reflete o pesar de seus condutores. Buzinas irritadas. Nas calçadas fisionomias cinza-azuladas em passos rápidos, sacolejantes, resultados de choques ao alto de frágeis estruturas metálicas multicoloridas. Nos rostos lágrimas fingidas descem vagarosamente. É o início de um dia chuvoso.
Para desespero das mães, ocupadas em seus inúmeros afazeres domésticos, é o prenúncio de mais um dia atormentado. Seus planos para secar as roupas, levar sua cadela alvinegra para passear, ir à feira semanal, lavar as vidraças, estão definitivamente comprometidos. Mas o pior, pensa, são as crianças, impedidas de descerem para brincar, que estarão mais que presentes através da gritaria, resmungos e irritações, típicas de um confinamento infantil forçado.
Ando pelas ruas do meu bairro e presto atenção ao meu redor. Os fenômenos da natureza sempre me intrigaram desde criança. O pôr do sol que se despede, o movimento de nuvens mutantes, as incansáveis ondas do mar, as assustadoras trovoadas, raios fugazes e ventanias invisíveis. Quando começava a chover corria para o jardim de minha casa e olhava para o céu tentando descobrir a origem das gotas que caiam no meu rosto vindas de um céu inalcançável. Abria a boca e sorvia as gotas de água; piscava, quando teimavam em molhar os meus olhos. Era uma sensação mais do que refrescante, gratificante. Após alguns momentos, verificava assombrada que todas as coisas estavam cobertas por uma camada transparente, naturalmente molhada, que ressaltava as cores das árvores, plantas, da grama. Minha irmã mais nova nestas ocasiões sempre repetia que as plantas estavam alegres e cantantes com a chegada da chuva; por isso tudo, parecia mais verde e bonito. Logo corria para a varanda e me sentava em um pequeno banco de madeira. Observava a água escorrendo pela garagem em direção à rua, vencendo as ranhuras do cimento mal assentado e passando pelo velho portão enferrujado. Aquilo me fascinava: o poder de cobrir tudo e a todos e a mudança de comportamento que impunha às pessoas. Estendia o meu braço e deixava que os pingos se acumulassem em minha mão. Recolhia então a mão e me propunha a analisar esta substância enigmática. Transparente, gelada, a sensação ao acariciar uma gota com os dedos, observava o seu movimento errático na palma da minha mão. Estendia novamente. Uma vez mais. Inspirava o ar cheiroso, diferente, de verde, de terra úmida. Cheiro de chuva, gravava.
Agora, com os mesmos olhos infantis, via o pequeno rio que corria na sarjeta, alinhada pelo meio fio, rumo ao bueiro guloso sob os meus pés. Levava pequenas folhas, papéis sujos e amassados, copos de plástico.
Outro aspecto da chuva que me entretinha era o som que produzia. Guardava em meu arquivo sonoro os seus registros de diferentes locais, situações e épocas de minha existência. O ritmo ansioso ouvido no interior de nosso velho fusca à espera de meu pai comprando remédios para a minha mãe enferma. Sua batida aconchegante e cúmplice na apertada tenda de lona amarela durante uma transa desvairada em uma praia carioca. A sua fúria contra um alto toldo metálico que contrastava com a minha alegria explosiva ao ver meu nome em uma lista de aprovados. A sua companhia através de suas batidas na janela enquanto lia um livro de Clarice. Seu rock ensurdecedor na quadra de esportes durante os jogos de vôlei das aulas de ginástica do colégio. Dificultava a compreensão das palavras de nossa instrutora e nos refrescava após a derrota. Os seus toques alentadores e perseverantes nas janelas largas do corredor do hospital, onde ansiava por notícias de sucesso da cirurgia da pessoa amada. O ritmo alegre, extasiante, comemorando com seu ressoar em meu guarda-chuva após as notícias anunciadas.
Continuo a ver os pequenos barcos disformes sendo carregados impiedosamente pela corredeira para o precipício da boca do lobo. Se não bastasse, são castigados por ondas marginais originadas dos pneus dos carros em velocidade ao tentarem amassar as poças de água da avenida. Sem se importar, as pessoas continuam andando rapidamente, desviando-se com agilidade do fluxo contrário com suas armas em punho e o pensamento em seus destinos. Todos com máscaras de aborrecimento, semblantes sombrios, alguns com capuzes, outros com capas coloridas. Os ambulantes, chateados pela falta de freguesia, expõem os seus produtos sob um plástico transparente, tentam atrair os pedestres desinteressados. Nem o disputado pasteleiro parece ter sucesso com a chuva. Os lojistas de braços cruzados, olhar fixo na rua, compartilham o mesmo sentimento de frustração de seus colegas das barracas mambembes. Da calçada para a avenida vejo o motorista do ônibus cansado, as pessoas amontoadas, molhando-se mutuamente. Algumas janelas semi-abertas. Gritos anunciam o roteiro de uma van com a porta aberta que pára ruidosamente. Caminho em direção à estação do metrô e logo vejo os indefectíveis vendedores de guarda-chuvas. Tão misteriosa quanto a chuva é o aparecimento instantâneo destes arautos em cada estação de metrô da cidade. Solícitos e hábeis no manuseio e exibição das mercadorias de diferentes cores, estampas e comprimentos, mas de mesmo formato. Alguns compram agradecidos, outros contrariados.
Afasto por um momento a minha sombrinha florida cor-de-rosa e olho para o céu. As gotas surgem do nada e são aparadas pelas grossas lentes dos meus óculos. Fecho os olhos instintivamente e me protejo. Ouço uma buzina familiar. Minha carona chegou.
O colecionador é uma criatura inusitada que vale a curiosidade de muitos e a atenção de poucos. Quando submetido a um microscópio facilmente se descobre as suas características e especificações técnicas. É notoriamente identificável, mesmo disfarçado e anônimo na multidão, seja pelo seu olhar distante, que o denuncia por estar pensando em como adquirir aquele item em quantidade limitada recém lançado na Coréia, seja pelo seu olhar vidrado e doentio ao entrar em uma loja de seu interesse, onde automaticamente coloca as suas habilidades matemáticas a serviço da missão de tornar viável a compra dos ítens desejados. Ainda não identificaram no estudo do genoma humano qual seria o gene responsável por este distúrbio mental que aflige cada vez mais uma parcela, ainda que insignificante, da população mundial. Assim sendo, podemos associar esta mania a um vírus hipotético altamente resistente que infecta o seu hospedeiro através de mecanismos sofisticados, mas ainda completamente desconhecidos.
Geralmente a criatura é infectada na mais tenra idade, seja pela proximidade de amigos ou parentes que exibem os objetos adorados de forma insistente e encantadora, seja através de publicações, ou mesmo ao ser capturado pelas inúmeras armadilhas da internet. Embora não comprovado, há uma predisposilção genética para o vírus, pois é sabido que irmãos foram expostos ao ambiente virulento com resultados distintos.
A partir deste fato originador o ser infectado está apto a colecionar qualquer coisa pelo simples prazer de juntar objetos de mesma natureza e exibí-los com efeitos mais diversos. O cuidado em mantê-los, a alegria solitária ao acrescentar um novo item, o estudo do objeto através de pesquisa na net..... o culto da adoração ! Normalmente o ser atingido se propõe a fazer várias coleções com maior ou menor entusiasmo durante a sua existência, mas mantém, certamente, a essência de ser colecionador, um ser diferenciado e esquisito.
Embora o colecionador possa pertencer a inúmeras tribos diferentes identificadas pelos ítens colecionáveis [selos, pedras, chaveirinhos, latas de cerveja, action figures, miniaturas, cds, dvds & blu-rays, obras de arte, brinquedos, carros esportivos e de luxo, patinhos de banheira.... só para citar alguns !], todos possuem as mesmas características técnicas: compulsividade, vício desenfreado, exibicionismo, adoração pagã e vaidade !
Formam as suas próprias comunidades, sejam virtuais ou da vida real, através de fóruns especializados, grupos de encontro, feiras e exposições, eventos colecionistas e redes sociais. Tem como principais objetivos a admiração mútua, a troca de informações técnicas e comerciais, a exibição dos ítens colecionáveis e o aperfeiçoamento das técnicas do colecionar ! A amizade torna os laços mais fortes entre estas criaturas que se realimentam em um mundo estranho que os estigmatiza. O que mais impressiona é a velocidade com que ficam sabendo dos locais de venda na net, os leilões que estão acontecendo, a disponibilização de ítens raros..... uma febre vibrante e sem fim ! Todos participam independentes dos locais onde residem, da condição social e financeira, que apenas se faz notável pela quantidade e qualidade da coleção, sexo ou credo religioso. Aliás, a religião é uma só: o culto às adoradas peças ! O hobby está associado ao conhecimento intrínseco da coleção, aspectos históricos, geográficos, técnicos são orgulhosamente trocados, seja de um cristal, carro esportivo ou filme à disposição do colecionador.
Atualmente o colecionador lança mão das facilidades de ferramentas da internet para aumentar a audiência e o culto aos sagrados ítens de coleção. Faz uso de Blogs para apresentação e descrição de sua coleção, Twitter para atrair colecionistas do mundo inteiro, Picasa para publicar as fotos cada vez mais sofisticadas e, claro o YouTube para fazer "unboxing", maneira descolada de abrir a encomenda recém chegada, compartilhando a emoção com os aficcionados. Estas ferramentas de interatividade permitem que as criaturas infectadas e compulsivas deixem os seus comentários e impressões, aumentando ainda mais a proximidade virtual dos elementos de sua tribo. Além disso, promoções são disseminadas na net de forma instantânea com o esgotamento do item desejado em poucos instantes ! Um fenômeno de mídia realmente....
Como pode se ver, o colecionador ainda tem grandes problemas insolúveis na sua batalha insana e diária. O principal deles é a briga mensal com a fatura do seu cartão de crédito ! Nos sites de compra a facilidade paradisíaca em se clicar no botão da alegria só é superada pela tristeza da realidade dos números e das inúmeras páginas da fatura angustiante e temida. Associada a esta dificuldade contínua há o famoso Wife Factor [Fator Esposa ou afins: Husband, Mother Factor....], que certamente questionará os gastos, além de criar situações realmente vexatórias, infantilmente defensáveis pelos nobres colecionadores. Muitos optam por esconder as faturas ou ter uma identidade secreta de colecionador obscuro com vidas paralelas !
Outra demanda é o espaço ! Por menor que seja o item colecionável, e tendo que obedecer à máxima de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, não há jeito.... sempre há um limite ! Novamente o Wife Factor é preponderante e as zonas de atrito refletem a distribuição espacial compartilhada. Conheço colecionadores onde é visível bonecos dos mais variados até nos banheiros do apartamento ! Além de cristaleiras iluminadas imensas preenchidas de forma sofisticada com miniaturas de carros esportivos e antigos que tomam vários cômodos da casa. Antes de ser infectado, pense nisso !
A compulsão e o vício frenético pela compra insaciável e continua de novos ítens para a coleção é uma obsessão de difícil solução, pois é realimentado de forma contínua pelos integrantes de cada tribo que bombardeiam o pobre colecionador através de todo tipo de mecanismo. Além disso, as lojas virtuais e os sites relacionados não deixam de informar e atiçar a criatura infectada com massiva propaganda e facilidades de pagamento ! Além da iniciativa do próprio colecionista em aliviar as suas necessidades de um vício cada vez mais alucinante....
Para se ter uma vaga idéia desta infecção virótica traduzo as minhas impressões de um mundo azul, não aquático, mas formado pela comunidade de taradinhos por Blu-rays, as bolachas azuis de alta definição, vedete das salas de Home Theater da galera compulsiva, capaz de abalar a estrutura familiar e os alicerces de qualquer casa ou apartamento !
Participando dos grupos de discussão das comunidades espalhadas na net, como um agente infiltrado e antropológico, sobretudo em fóruns e sites especializados, nota-se uma camaradagem entre os participantes e diferentes níveis de amizade virtual: de curiosos a profundos conhecedores e entusiastas. A obsessão pelo universo azul é notada em diferentes camadas que formam uma evolução contínua na arte de colecionar tomando caminhos cada vez mais sofisticados e intrigantes.
O exemplo maior é o que denominam "Gambiarra Edition" [ou GE] ! Um nome invulgar para a configuração de edições únicas e exclusivas ao comprar diversos Blu-rays [BDs] nos mais longínquos locais, misturando-se embalagens, encartes, e discos [preferencialmente com áudio e legendas em português brasileiro - Pt-Br]. Para isso é necessária a compra de várias edições de um mesmo título e a habilidade do colecionador em formar este item único de sua prateleira.
Casos extremos da doença são exibidas galhardamente com edições cumulativas de um mesmo filme, com mimos diferenciados, tais como livros, cartões, objetos do filme, cristais lenticulares [que exibem cena do filme em movimento], encartes com fotos, esquemas e desenhos. Edições muito apreciadas incluem "cabeças" do Exterminador do Futuro, Planeta dos Macacos, o Sonny do Eu, Robô, o Castelo do Harry Potter e o Ovo Alien ! Todos estes sob a denominação carinhosa de "Gift Set" [GS].
Outro aspecto interessante do colecionador é a busca desenfreada por edições belas e diferenciadas, além das triviais e comuns encontradas na maioria dos sites virtuais. Ao lado dos GS há as marmitas ou latas, "Steelbooks" [SB] que valorizam e muito o filme acondicionado em discos azuis. Há colecionadores que dão preferência a este tipo de embalagem e em muitos casos, pouco se importam com o filme incluso ! A marmita dá mais fome ao insaciado colecionador....
Foto gentilmente cedida pelo colecionador Gelonese Jr.
Esta é uma pequena amostra do vasto mundo de um colecionador. As consequências virulentas desta doença no universo das bolachas azuis são exatamente as mesmas encontradas em colecionadores de obras de arte e carros esportivos ! A obsessão, a incansável e metódica busca por objetos raros e apreciados na comunidade, a vaidade em exibí-los, a competição inerente aos colecionistas, a perturbação mental contínua decorrente da realimentação entre os seus pares, a incompreensão do mundo alheio às suas manias, a necessidade por mais espaço, a vontade de ser o mais rápido na compra do item desejado.... tudo isso faz parte da vida insana e difícil de um colecionador sério e resoluto.
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"He remembers those vanished years.
As though looking through a dusty window pane...
The past is something he can see, but not touch.
And everything he sees is blurred and indistincted..."
"No I won't do it again, I don't want to pretend. If it can't be like before I've got to let it end. I don't want what I was, I had a change of head. But maybe someday... maybe someday. I've got to let it go and leave it gone. Just walk away, stop it going on. Get too scared to jump if I wait too long. But maybe someday... I'll see you smile as you call my name. Start to feel, and it feels the same. And I know that maybe someday's come. Maybe someday's come... again! So tell me someday's come. tell me some days come again. No I won't do it some more. Doesn't make any sense. If it can't be like it was. I've got to let it rest. I don't want what I did, I had a change of tense. But maybe someday.. I'll see you smile as you call my name. Start to feel, and it feels the same. And I know that maybe someday's come. Maybe someday's come... If I could do it again. Maybe just once more. Think I could make it work like I did it before. If I could try it out. If I could just be sure. That maybe someday is the last time. Maybe someday is the end. Oh maybe someday is when it all stops. Or maybe someday always come again..."
Lyrics by Robert Smith